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Vittoriano: o controverso monumento em homenagem ao rei da Itália

O Vittoriano é um daqueles monumentos que não passam despercebidos por quem visita Roma.

Imponente, de mármore branco e localizado em uma área bem central de Roma, entre a Praça Veneza e a Praça do Campidoglio, no caminho para o Coliseu.

Ele foi construído em homenagem a Vitor Emanuel II, primeiro rei da Itália unificada. A obra começou em 1888 e apesar de ter sido inaugurado em 1911, ele só foi completado em 1935.

Mas apesar da sua beleza e monumentalidade, o Vittoriano também pode ser considerado um dos monumentos mais controversos de Roma, e além dos seus nomes oficiais: Vittoriano ou Monumento a Vitor Emanuel II, Altar da Pátria, Túmulo ao Militar Desconhecido, ele também tem um série de apelidos.

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Ele também é chamado de máquina de escrever, bolo de noivo, dentadura, elefante branco e, ao longo desse post você vai saber o porquê.

Um pouco sobre a história do Vittoriano

Vitor Emanuel II foi o primeiro rei da Itália unificada. Antes da monarquia, o último período em que o território itálico tinha sido unido, era sob a égide do império romano.

O fim do império romano significou a fragmentação extrema do que hoje chamamos Itália e dominação por outras nações: espanhóis, franceses inclusive durante o período de Napoleão Bonaparte e os austríacos.

Portanto, Vitor Emanuel foi o símbolo dessa tão sonhada unidade da Itália, que queria tanto ter um rei.

Ter uma monarquia, significa o fim de invasões e dominações. Lembremos que as três nações que mais dominaram a Itália foram a França, a Espanha e a Áustria.

Com a morte de Vitor Emanuel, se reevocou aquela antiga roma dos arcos triunfais, das colunas, dos templos e decidiu-se construir,então, um monumento em homenagem ao primeiro rei da Itália.

O monumento foi detestado desde sua construção porque foi necessário destruir uma grande área do Monte Capitolino, que ainda guardava muitos vestígios medievais no local.

Uma das muitas demolições feitas para a construção do Vittoriano. Crédito: Fotos Alinari

A construção em si é frequentemente considerada pomposa e demasiado grande.

Como ele é muito grande e muito branco, ele destoa dos edifícios e das arquiteturas que o rodeiam. Isso fez com que ao logo do tempo, o monumento ganhasse vários apelidos.

Praça Veneza quando o Vittoriano ainda estava em construção. Crédito: Roma Sparita

Além de ser dedicado a Vitor Emanuel, após a primeira guerra mundial, ele também foi dedicado aos soldados mortos em guerras. Por isso ele também é chamado de Túmulo do Militar Desconhecido.

A troca da guarda do Vittoriano

Apesar de nada glamourosa se comparada àquela mais famosa do mundo _a de Londres_, Roma também tem o seu emblemático ritual diário de troca da guarda do Vittoriano.

Todos os dias, milhares de turistas sobem seus degraus para fazerem fotos panorâmicas, e para visitarem seus museus (que são gratuitos). Outros também vão até o terraço panorâmico cuja vista de Roma é fenomenal.

Mas quase ninguém sabe que os dois “guardinhas” que ficam ali parados ao lado da chama em homenagem ao Militar Desconhecido, troquem a guarda pontualmente todos os dias e a todas as horas.

Desde 1921, quando acolheu o túmulo do militar desconhecido, morto na primeira guerra mundial, o monumento também passou a ser conhecido como Altar da Pátria e, por isso, todas as forças armadas italianas participam da sua guarda de honra e à homenagem aos militares mortos na primeira e segunda guerra mundial.

Já que a guarda do Vittoriano conta com a participação de todas as forças armadas, a cada dia da semana a troca da guarda altarna a corporação das forçam armadas: exército, marinha, aeronáutica, polícia militar, etc.

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A guarda vigia o local 24 horas por dia. Se quiser testemunhar esse momento singelo, mas muito simbólico é só comparecer ao Vittoriano todos os dias, a cada hora pontual: 9, 10, 11h até o horário de encerramento das visitas ao monumento.

Quando o monumento está fechado, só é possível ver a troca de longe, do lado de fora das grades.

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Como a troca da guarda é pequena e breve, saiba que ela dura bem pouco. O ritual se dá em cerca de 5 minutos, portanto, seja pontual mesmo!
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O terraço panorâmico do Vittoriano: uma vista espetacular da cidade

Um terraço panorâmico em Roma, onde muita gente não espera, fica localizado no Vittoriano ou Altare della Patria. Ele é um dos monumentos romanos que mais recebe visita dos turistas, e desde 2007 ele tem um terraço panorâmico com uma vista magnífica.

Foi ideia de um dos prefeitos da cidade ter esse local como terraço panorâmico em Roma. Uma vez ele subiu no teto do Vittoriano, e disse que era uma pena que o público não pudesse ter a oportunidade de ver a cidade do alto.

Logo em seguida começaram as obras e em 2007 foi inaugurado o elevador panorâmico que nos leva até o teto do monumento, e lá de cima a vista é simplesmente de tirar o fôlego! Não perca essa chance de jeito nenhum!

Para chegar ao terraço panorâmico, é necessário subir toda a escadaria do Vittoriano, passar por dentro do monumento e subir mais degraus. Ao fim dos degraus, da primeira sacada já dá pra ver Roma um pouquinho do alto, mas o melhor ainda está por vir.

Depois é necessário chegar até a parte posterior do monumento e pegar o elevador de vidro. Na parte posterior tem algumas ilustrações contando a história da construção, e também uma foto do monumento em 1930.

O bilhete para subir de elevador custa 10 euros, não aceita e nem faz desconto para quem tem Roma Pass, e também não aceitam pagamentos com cartão de crédito. Menores de idade não pagam. Jovens de 18 a 25 anos tem 50% de desconto.

O tempo de espera na fila foi inferior a 5 minutos e a capacidade do elevador é de 6-8 pessoas.

O terraço abre todos os dias, das 9:30 às 19:30, mas a bilheteria fecha às 18:45. O monumento não abre dia 25 de dezembro e 1 de janeiro. Todas as informações estão no site oficial de serviços turísticos e lazer da Prefeitura de Roma.

Chegando lá em cima… a sensação é única. Mesmo em um dia de muito calor, estava uma brisa maravilhosa, e ver Roma do alto dá uma sensação de ter o mundo aos nossos pés. Fiquei emocionada, mesmo depois de tantos anos morando em Roma. Lá em cima também tem uns binóculos panorâmicos cujo uso é gratuito.

Os museus gratuitos do Vittoriano

Além do terraço panorâmico, o monumento abriga três museus, dos quais dois são completamente gratuitos.

MEI: Museo Nazionale dell’Emigrazione Italiana

O acervo do museu é muito interessante, além dos objetos objetos expostos possui suportes midiáticos é possível reconstruir a emigração de italianos no mundo todo inclusive por meio de documentários e filmes famosos como Sacco e Vanzetti.

Muitos brasileiros tiveram ou tem um bisnonno e um nonno italiano, né? A gente pensa que a maioria das pessoas que emigravam da Itália o faziam por extremas condições de pobreza.

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Na verdade muitos  italianos que foram para a América do Sul, EUA e Canadá, mas também para outros países europeus mais ricos, como França, Bélgica, Suiça e Alemanha, eram mesmo aqueles que procuravam fortuna ou a possibilidade de uma vida melhor. E muitas vezes encontraram condições de vida péssima!

Instrumentos musicais que os italianos levavam consigo e que animavam as noites dos círculos italianos pelo mundo
Pensão para emigrantes italianos
Malas e baús dos emigrantes

O percurso do museu também explica que existiam emigrantes ricos, famílias ou grupos de amigos que fizeram uma espécie de consórcio mandando assim alguns parentes mais aventureiros em busca de riqueza.

Fotos após a chegada no destino

Muitos emigrantes genoveses, cidade italiana que possui séculos de tradição de navegação (de lá partiu Cristóvão Colombo para a conquista da América) e em cuja região há muitos estaleiros, criaram empresas de navegação na região do Rio da Prata, na fronteira entre Argentina e Uruguai.

Mas também houve muitos italianos que emigraram porque eram persona non grata: anarquistas, comunistas, etc. Lembram do livro Anarquistas, graças a Deus, da Zélia Gattai? Ele conta um pouco esse aspecto dos italianos que fugiram da Itália porque protestatavam por melhores condições de vida e de trabalho.

Muito interessante ver no documentário um pouco dos slangs que nascem da mistura que os emigrantes italianos faziam do dialeto local com a língua do novo país, principalmente aqueles que emigraram para países de língua inglesa.

Outro aspecto a ser considerado é que a Itália nunca deixou de ser um país de emigrantes. Hoje os italianos não emigram mais em massa, ou por causa da fome, mas, muitos jovens ainda buscam sorte e melhores condições de trabalho no exterior.

Cartaz que mostra uma mulher loura, sorridente e bem vestida, fazendo alusão que a vida dos emigrantes seria melhor. Essas propagandas eram feitas pelas empresas que vendiam passagens nos navios

Um documentário fala que, se no passado o nonno italiano emigrava em busca de fortuna, hoje em dia as novas gerações de pesquisadores, profissionais liberais, médicos, artistas, emigram porque as condições de trabalho na Itália não são tão boas como em países como a Inglaterra, França, Alemanha.

Esse último é um dos países para os quais os jovens italianos mais emigram, mesmo enfrentando a dificuldade inicial do idioma.

Imigração pode ser sinônimo de esperança, mas também de grandes tragédias

A mostra também nos instrui quanto ao fato que nem sempre os emigrantes encontram sorte. Houve navios que afundaram, houve linchamento de italianos pelo simples fato de serem italianos. Nos Estados Unidos muitos italianos só podiam frequentar as escolas segregadas para alunos negros.

Mas uma das maiores tragédias foi aquela que se deu em Marcinelle, na Bélgica, onde cidadãos italianos morreram na explosão de uma mineira de carvão. De 262 operários, 136 eram italianos.

O museu não é grande e é possível ver tudo com calma em uma hora, sem assistir o documentário, que é em italiano.

Museo Sacrario delle Bandiere

O museu chamado Sacrario delle Bandiere (Memorial das Bandeiras ou Santuário das Bandeiras) é dividido em duas partes: uma dedicada àPolizia, Carabinieri, Guardia di Finanza, Exército Italiano, Exércitos Voluntários, Exército Garibaldino, etc. e uma outra parte dedicada à Aeronáutica e à Marinha.

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Para visitar a primeira parte, a entrada é pela Via di San Pietro in Carcere (do lado que dá para a escadaria do Campidoglio); e para visitar a parte dedicada à Aeronáutica e à Marinha, a entrada encontra-se na Via dei Fori Imperiali. 

Camisa vermelha, o símbolo principal do Exército Garibaldino

O que há no acervo do museu?

O Túmulo do Militar Desconhecido (Il Milite Ignoto)

O túmulo do Militar Desconhecido representa todos os militares mortos na primeira guerra mundial e cujos corpos não puderam ser reconhecidos.

Em 1921 a mãe de um soldado não identificado foi convidada a escolher um cadáver, para que representasse simbolicamente os jovens mortos na primeira guerra.

Devido à forte emoção, a senhora ajoelhou-se chorando diante de um caixão e aquele, dentre os onze cadáveres ali presentes, foi o escolhido para representar os mortos da guerra.

O corpo foi trazido de trem de Aquileia, cidade que fica na província de Udine, até Roma. E por todas as estações onde passou, a população correu para saudar simbolicamente o militar desconhecido.

Segundo fontes históricas, o número de corpos não identificados na primeira guerra mundial, e que foram enterrados em fossas comuns foi enorme.

No dia 4 de Novembro de 1921, foi feita uma celebração solene. O túmulo foi colocado dentro do Vittoriano e nele, além da inscrição Milite Ignoto, também encontram-se gravados os anos do início e fim da primeira guerra mundial: 1914 e 1918.

O Memorial das Bandeiras e os Uniformes Militares

O acervo do museu tem como pano de fundo também as histórias das guerras nas quais a Itália participou, desde as duas grandes guerras e também as guerras colonialistas, durante a tentativa italiana falida de possuir colônias na África. E nelas há a presença e evolução do Tricolore, como é chamada a bandeira tricolor italiana.

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É particularmente interessante ver como o uniforme do exército europeu adaptou-se ao continente africano: uso de escudos de couro, espadas e punhais africanos e mantas feitas com tecidos africanos muito coloridos.

Uniforme de soldado africano que alistou-se no Exército Italiano

Mas além das bandeiras e uniformes, também encontramos alguns objetos interessantes, como o gramofome com as músicas de propaganda, feitas especialmente para animar os soldados no front de batalha.

A mostra se encerra de maneira “politicamente correta”, exibindo a atuação do exército italiano hoje em dia, em ações de guerra, mas também de paz.

A grande verdade é que as ações de paz acontecem em territórios de guerra, então há muito o que refletir sobre o conceito de paz. Todas as estátuas com os uniformes são em tamanho natural e, em alguns casos, tem até uma placa com o nome do militar que vestiu aquele uniforme.

Sempre achei que mensagens enviadas por pombo-correio fosse coisa do cinema, mas, aqui, vemos os “Colombrigrammi” (mensagens enviadas pelos pombo-correios) durante a guerra de 1915-1918 entre a Itália e a Austria

O museu é gratuito e além do acervo é uma chance para ver o Vittoriano por dentro, com suas estátuas altivas e o belíssimo chão de mármore.

MEI

Piazza dell’Ara Coeli, 4 (dentro do Vittoriano) – Site Institucional: http://www.museonazionaleemigrazione.it/

A entrada é grátis

Aberto de 2af a 5af das 9:30 às 18:30 e de6af a domingo de 9:30 às 19:30

Para saber eventuais mudanças de horários, consulte o site da Prefeitura de Roma: http://www.060608.it/it/cultura-e-svago/beni-culturali/musei/museo-nazionale-emigrazione-italiana-mei.html

Museo Sacrario delle Bandiere

Abre de 3af a domingo das 9:30 às 15h. O museu fecha todas as segundas-feiras, nos feriados nacionais e também no dia 4 de Novembro, que é o dia das Forças Armadas.

Onde fica o Vittoriano?

O Vittoriano fica bem de frente para a Piazza Venezia, um ponto bem central de Roma. Para conhecer o monumento e o terraço panorâmico é possível acessar da entrada principal. Já para conhecer os museus gratuitos, é necessário passar pelas entradas laterais, no lado direito e no lado esquerdo do monumento.

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Respostas de 6

  1. Trabalho primoroso esta publicação, cheia de detalhes. Adorei a foto da época da reconstrução.

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